Por Daniel Lima – ECOnomista
Imagine uma tarde escaldante em pleno sertão nordestino. Maria, uma agricultora familiar, observa
com apreensão sua terra seca e suas plantações murchas. Há dois meses não cai uma gota de
chuva. O que antes era um campo de esperança agora é um terreno estéril.
A imagem de satélite abaixo, registrada em abril/2025, revela a gravidade da situação em várias
localidades do semiárido brasileiro. Em Alagoas, por exemplo, o clima seco e quente predomina,
deixando comunidades vulneráveis à mercê dos extremos climáticos.
Em dezembro de 2024, o alarme foi dado. O estudo Mudança do Clima no Brasil – Síntese atualizada
e perspectivas para decisões estratégicas, liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação (MCTI) e instituições internacionais, trouxe dados alarmantes: até 2040, o semiárido
brasileiro pode sofrer uma redução de 40% a 80% na disponibilidade de água, desafiando ainda mais
a agricultura familiar e o abastecimento hídrico.
Os números são frios, mas seu impacto é devastador. Cerca de 94% do semiárido já enfrenta uma
suscetibilidade à desertificação média a alta, enquanto os dias consecutivos sem chuva subiram
para cerca de 100 em várias áreas do Nordeste. Isso significa que agricultores como Maria precisam
lidar com déficits hídricos que ameaçam sua subsistência.
Resistir para existir
Apesar do cenário sombrio, a história ainda não está escrita. O relatório do IPCC destaca a urgência
de construir modelos de desenvolvimento mais resilientes às mudanças climáticas. Universalizar o
acesso a tecnologias limpas, investir em eletrificação de baixo carbono e promover o uso
sustentável dos recursos naturais são passos essenciais.
A história de Maria é a história de milhões de brasileiros. É um chamado à ação, um apelo para que
sociedade, governos e iniciativa privada unam esforços para reverter essa crise e garantir um futuro
mais justo e sustentável.